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Juliana Gehring: designer de viagens

  • 19 de jul de 2022
  • 4 min de leitura

Atualizado: 20 de jul de 2022


Juliana trabalha com leasing de carros e nas horas vagas, desenha roteiros de viagem. Foto: Gabriela Abreu

Livre e espontânea pressão é a frase que Juliana Gehring, nascida em São Paulo, utiliza para começar sua história. A escolha de se mudar para a Romênia começou quando conheceu seu marido, Franco, pelo Orkut. Na época, ele morava em Bruxelas na Bélgica e mesmo a distância, se apaixonaram e, no retorno dele ao Brasil, Juliana engravidou. O casal continuou com o sonho de voltar para a Europa e, por Juliana possuir a cidadania alemã, tornava o processo mais fácil.


Em 2015, Franco, junto a um amigo, teve a ideia de abrir uma churrascaria na cidade de Bucareste, capital romena. Juliana comenta que o casal nunca tinha pisado na Romênia e mal sabiam achar o país no mapa. Ainda assim, “a gente que não tinha nada, vendeu tudo”, e viajaram em Março do mesmo ano. A família de Juliana questionou sua decisão principalmente por conta de sua filha, que na época tinha apenas quatro anos.


Alguns meses após a chegada do casal na Romênia, perceberam que o restaurante não iria decolar tão rápido quanto esperavam. Muitas de suas economias estavam sendo gastas em custos básicos de aluguel e comida e, por isso, Juliana decidiu procurar um emprego. Ela descobriu um mercado para pessoas que falam português e passou a trabalhar no Tripadvisor, com moderação do conteúdo do site. Insistiram por mais cinco meses no negócio e, ao perceberem que não funcionou, desistiram. Entretanto, decidiram ficar na capital romena, pois as oportunidades de trabalho eram melhores que no Brasil. Juliana descreve que os principais motivos de permanência no país foram o salário e a segurança. “A gente chegou em Março e no primeiro natal fizemos a nossa primeira viagem na Europa, para Vienna. No Brasil, a gente mal conseguia colocar gasolina no carro pra visitar a nossa familia”.


Juliana, Franco e sua filha Luiza na Aústria, sua primeira viagem pela Europa. Fotos: Juliana Gehring/Arquivo Pessoal


A saudade de casa não é algo que aperta o coração de Juliana. Ela comenta que “não sinto falta nenhuma da minha vida no Brasil”. Esse sentimento se dá principalmente porque, em Curitiba, onde morou um ano antes de ir para a Romênia, sua rotina não permitia que passasse tanto tempo com sua filha. Ela levava até duas horas por dia para chegar e voltar do trabalho e, precisava pedir ao seu marido para buscá-la no trabalho caso ficasse tarde ou era perigoso voltar para casa. Para ela, a vida na Romênia compensa estar longe da família. “A gente aprende a viver com essa saudade, sabe?”.


Durante seu período de vida no estrangeiro, Juliana percebeu que muitos brasileiros vieram para fora com a cabeça presa ao Brasil. Ela comenta que não acha esse comportamento saudável, pois a pessoa se condiciona a uma vida e não aproveita o presente. Durante a faculdade, ela morou em Londres e conheceu pessoas que não sabiam falar inglês e viviam na cidade apenas com o seguinte pensamento: “Trabalha, trabalha, pega o dinheiro e manda pro Brasil”. Já para ela, quando decidiu vir para a Romênia, sabia que precisava vir de coração aberto a uma nova cultura. De primeira, achou o idioma romeno parecido com o português e a culinária similar com a que tinha no Sul. Como Juliana morou em Santa Catarina por 15 anos, não enfrentou grandes choques culturais. “Vamos pra lá ter uma vida melhor e uma vida lá. Mas vejo muita gente que vem pra cá [Romênia] e a cabeça fica lá [no Brasil]. Só quer comida de lá, só quer conhecer gente de lá, só fica saudoso com tudo o que tem lá… Alguém te amarrou no avião?”


O trio em suas viagens pela Romênia. Fotos: Juliana Gehring/Arquivo Pessoal


Com a sua experiência de vida na Inglaterra, Juliana aborda que, na Romênia, ser brasileiro é um diferencial no mercado de trabalho. “Em Londres, ser brasileiro não é vantagem, você vai ter que esfregar um tanto de privada, carregar um tanto de bandeja em restaurante se você chegar de mala e cuia do jeito que eu cheguei. Por mais que você fale inglês, você é mais um brasileiro”. Esse fato ocorre pela comunidade de brasileiros na Inglaterra, de acordo com o Ministério de Relações Exteriores do Brasil, ser composta por pelo menos 200.000 pessoas.


Juliana trabalha com leasing de carros e, em seu cargo atual, gosta mais do que faz do que no início do trabalho. No começo, sua motivação era muito baixa, já que sua paixão é viagem e turismo. Como forma de balancear sua motivação, ela fez um curso online de Travel Design, para aprender a fazer roteiros de viagem personalizados. Formada em Turismo, o curso deu um complemento para ela iniciar um novo projeto nas horas vagas. Apesar de não ser sua principal fonte de renda, “é uma forma de fazer uma coisa que eu gosto, para balancear com o trabalho que faço todos os dias”. Ela oferece serviços de consultoria, desenho de viagem e concierge para quem se interessa em viajar para a Romênia.


Ao se mudar para a terra do Drácula, o casal já tinha em mente que esse não seria seu destino final, mas precisavam juntar dinheiro para a próxima aventura. Cogitaram Inglaterra, Alemanha, Holanda, Espanha e Bélgica como opções, mas precisavam esperar pelo menos um semestre, por conta do período escolar de sua filha. Com a chegada da pandemia, os planos foram pausados e hoje Juliana se sente satisfeita com a vida no leste europeu. “Nada que eu planejei aconteceu do jeito que eu planejei, aí hoje eu já não planejo muito pra frente, desde que a gente consiga dar a melhor vida para ela [sua filha], segurança, conforto, viajar pra onde a gente quiser”.


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© 2022 por Gabriela Abreu

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