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O que vem à sua mente quando escuta o nome “Romênia”?

  • 17 de jul. de 2022
  • 4 min de leitura

Atualizado: 16 de nov. de 2022

Conheça o por trás da grande reportagem "Brasileiras na Romênia" e o que me motivou a escrever essas histórias.

Cidade de Cluj-Napoca, considerada o coração da Romênia. — Foto: Gabriela Abreu

A resposta da pergunta inicial não é simples. Há um ano, para mim seria uma folha em branco. Hoje, se tornou o gancho que traz milhares de memórias.

A HISTÓRIA ROMENA

A Romênia é um país localizado no sudeste da Europa. Seu principal papel na história do leste europeu é de intermediadora dos conflitos, muitas vezes sendo carregada pelos mesmos até o fim. Isso acontece pois a Romênia, durante toda sua história, foi conquistada por aqueles com maior poder aquisitivo, precisando sempre se adaptar a uma realidade diferente. O país foi dominado por Hungáros, Austríacos, Turcos e Russos, com destaque ao Império Otomano que, apenas após entrar em guerra com a Rússia, perdeu o território em 1878.

Após a Segunda Guerra Mundial, a Romênia foi colocada sob a esfera de influência soviética em 1947 com a implementação do regime comunista. Não foi até 1989 que o povo romeno se rebelou contra o governo em um movimento conhecido como a Revolução Romena, marcando o início de uma nova era para o leste europeu.

Até os dias de hoje, é possível observar o quanto a opressão sofrida pelo país desde o início de sua história reflete no comportamento da população. Durante a minha estadia na Romênia, me interessei muito pela história do país e pude observar que o povo romeno não tem um sentimento de patriostismo, já que muitos dos nativos não gostam da Romênia e desejam construir suas vidas no oeste. Em minha opinião, um país que por muito tempo não foi permitido de ter uma identidade e que sempre esteve oprimido por autoritaristas, não teve a oportunidade de construir uma identidade sólida a ser admirada pelo seu povo.


A MINHA TRAJETÓRIA NO PAÍS

Era setembro de 2020 quando decidi procurar por alguma oportunidade de intercâmbio. Desde pequena, esse era o meu grande sonho. Aos 15 anos, era o sonho americano. Aos 20 anos, tornou-se o sonho europeu. Porém, todo jovem que pensa em viajar para Europa tem em mente Reino Unido, França, Espanha, Portugal… mas o meu sonho se tornou realidade com a Romênia. Uma de minhas amigas fazia parte da AIESEC, organização que promove intercâmbios para jovens de 18 a 30 anos, e perguntei a ela se existia alguma oportunidade na Europa. Em seguida, sua resposta foi: “Você já ouviu falar na Romênia?”. Naquele momento, me senti a pessoa mais ignorante do mundo. A minha resposta foi “Não. O que tem lá?”. Depois disso, pesquisei na internet onde ficava o país e o primeiro pensamento foi um grande sinal de alerta - nunca que eu viajaria para um país a nove mil e novecentos quilômetros de distância de tudo o que eu conheço.

Vou avançar um pouco no tempo e contar que no final das contas, um ano e meio após essa conversa, acabei morando em Bucareste, capital da Romênia, por um ano. Como cheguei até esse momento pode ser uma história para mais tarde, mas o porquê decidi ficar por um ano é a que vale a pena contar.



Quando cheguei na Romênia, em junho de 2021, fui tomada por um sentimento de medo. Estava longe de casa, da minha família, dos meus amigos. Não conhecia ninguém além das pessoas com quem iria trabalhar junto no ano seguinte. Porém, esse sentimento se disseminou de forma rápida. Quando vi, eu já estava indo ao supermercado sozinha e falava boa tarde em romeno para a moça do caixa. Uma das grandes surpresas que tive na Romênia foi a familiaridade do idioma romeno com o português. Em pouco tempo, já estava habituada a ouvir as pessoas falando a língua nas ruas e até aprendi algumas frases.

Mas como nem tudo são flores nessa vida, também enfrentei alguns desafios por ser estrangeira. A minha principal forma de comunicação era com o inglês e nem sempre conseguia me comunicar com o povo local. Por sorte, estava sempre rodeada de amigos que me ajudaram com a tradução, mas em muitos momentos fui ignorada ao pedir ajuda na rua. Além disso, no meu tempo aqui, criei uma coletânea de “reação dos romenos ao ouvir que sou do Brasil”. Eu poderia escrever um livro sobre elas e prometo que vocês iriam se divertir muito. Desde reações engraçadas como motoristas de Uber começarem a dançar samba ou enfermeiras perguntando o que eu achava do Carnaval, até reações machistas de que a melhor coisa do Brasil são as mulheres e seus corpos bonitos (não que seja mentira, mas ao ser mencionado por homens de 40 anos que acabara de conhecê-la, passa a ser sexista). E não posso deixar de mencionar sobre todos os jogadores de futebol brasileiros conhecidos por lá: Neymar, Ronaldinho, Pelé e por aí vai. Fiz o possível para que essas situações não me abalassem tanto.


Juliana Gehring, uma das entrevistadas. Foto: Gabriela Abreu/Arquivo Pessoal

Ao mesmo tempo em que tudo isso acontecia, também tive a oportunidade de conhecer brasileiras que viviam por aqui e discutir sobre as diferenças que observamos entre o Brasil e a Romênia. Foi através de uma dessas conversas que decidi escrever sobre essas histórias, mas não são histórias quaisquer. Decidi fazer o recorte de mulheres brasileiras vivendo na Romênia, pois percebi que, enquanto mulheres, somos fortes, não importa onde estivermos. Além disso, passamos por desafios muito semelhantes e por eu ter me encontrado em situações muito semelhantes às delas, achei essa a melhor decisão a se fazer.


"Enquanto mulheres, somos fortes, não importa onde estivermos."

A Romênia me recebeu de braços abertos e foi o berço do maior crescimento pessoal que já tive. Foi também o jardim das primeiras vezes. Primeira vez viajando para fora do Brasil sozinha, primeiro relacionamento com um estrangeiro, primeira vez vendo a neve. Fui desafiada em todos os âmbitos: pessoal, emocional, espiritual e profissional.


Porém eu fui apenas uma de muitas mulheres brasileiras que escolheu a Romênia como o destino que mudaria suas vidas.


Contarei cinco histórias e espero que por meio delas, seja possível entender o impacto que uma escolha pode ter em sua trajetória.

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© 2022 por Gabriela Abreu

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